Presidente do TJSC recebe coletivo surdo da Grande Florianópolis para ampliar diálogo e buscar soluções

O presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Rubens Schulz, recebeu na tarde de 30 de março, no Salão Nobre da Presidência, representantes de um coletivo de pessoas surdas da Grande Florianópolis. O encontro teve como objetivo ampliar o diálogo e buscar soluções para melhorar a acessibilidade dessa população ao Judiciário catarinense.

De acordo com dados do Censo 2022 do IBGE, Santa Catarina possui mais de 88 mil pessoas com deficiência auditiva permanente, mesmo com o uso de aparelhos. O estado ocupa a nona posição no país em número de pessoas nessa condição.

Participaram da reunião lideranças e especialistas ligados à comunidade surda, entre eles a presidente da Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF), Sandra Lúcia Amorim; o chefe do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodrigo Rosso Marques; e a diretora do Câmpus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Simone Gonçalves de Lima da Silva. Também estiveram presentes profissionais da área e intérpretes de Libras. A articulação do encontro foi feita pelo desembargador João Marcos Buch.

Durante a conversa, o presidente do TJSC destacou o interesse em compreender as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda no acesso aos serviços judiciais. Segundo ele, a iniciativa faz parte do compromisso da atual gestão em promover inclusão e acessibilidade.

Os representantes do coletivo apontaram como principal desafio as barreiras de comunicação. Rodrigo Marques ressaltou que muitos surdos têm o português como segunda língua, o que dificulta a compreensão de informações escritas, como conteúdos em sites institucionais. Ele também destacou a falta de profissionais capacitados em Libras nos atendimentos presenciais.

Simone reforçou que as dificuldades de acesso à educação, tanto em Libras quanto em língua portuguesa, impactam diretamente a inclusão social e o exercício da cidadania das pessoas surdas. Já Sandra Amorim relatou que a associação frequentemente recebe demandas relacionadas a questões legais, evidenciando a necessidade de estruturas públicas mais acessíveis e preparadas para esse atendimento.

Ao final da reunião, foi definida a criação de um grupo de trabalho com a participação das partes envolvidas. A proposta é discutir medidas, avaliar alternativas e estabelecer prioridades para ampliar a acessibilidade no Judiciário. A iniciativa marca um passo inicial para a construção de políticas mais inclusivas voltadas à população surda no estado.